Brazil: Climate Impacts – From Floods to Droughts

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Originally published in 350.org

The upcoming IPCC report on present and future impacts of climate change serves to reinforce what is already being observed by different communities in Brazil: the climate is becoming far more unstable, with the occurrence of more extreme weather events such as the current drought in the Southeast and the floods in the North of the country.

Droughts in Brazil. Photo credit: Raimundo Valentim/EPA

This summer, two regions in Brazil are suffering from opposite extreme weather conditions: in the North of the country, the people of Acre, a state located in the Brazilian Amazon, have been isolated from the rest of the country for over a week now because of record floods from the Madeira River. There is a food supply crisis, food price is rising and supermarket owners started to control the number of food items people are allowed to buy. Cars are running out of gas and, consequently, people are dying because ambulances can’t rescue those facing health emergencies.

In the Southeast, the state of São Paulo, where a great part of Brazil’s population is concentrated, is facing the worst drought in decades. Summer is the rainy season in the region, but the storms didn’t come this year and the main water reservoirs are almost empty – Cantareira System, which provides half of drinking water to South America’s largest city, registered today 13,8% of its capacity.

Agriculture, such as coffee production, is also being affected by the drought. The government started a campaign to give discount for those who save water but, because it is election year, there is no talk about the urgent need for rationing water. The state government does not talk about this, but poor neighborhoods are already under a water shortage regiment.

Moreover, most of the electricity in the country is generated by hydropower dams – if there isn’t enough rain and a long-term energy generation and efficiency plan to use different sources of renewable energy, Brazilians and the Brazilian economy will also most probably face an energy crisis during the World Cup and the upcoming election season.

We had the hottest summer in decades – São Paulo had the hottest summer in 71 years and, according to the Center for Weather Forecasting and Climate Research (CPTEC/INPE), out of the 10 hottest temperatures registered worldwide on December 31, 2013, 9 happened in Brazil.

Higher temperatures mean higher demand for energy. And unless there is immediate action to address climate impacts, Brazil’s black out will continue to put a serious strangle on peoples’ livelihoods.

Photo credit: Leonardo Teles/Flickr

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Documentário debate os combustíveis fósseis

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Publicado originalmente na Folha de São Paulo (15/05/2013)

A 350, ONG que trabalha com ações relacionadas a mudanças climáticas, lança amanhã (16/5) “Do the Math: The Movie” (“Faça as Contas: o Filme”, em tradução livre).

O documentário acompanha a luta do ativista Bill McKibben pelo fim do investimento em combustíveis fósseis e a campanha contra o oleoduto Keystone XL, localizado no Canadá.

O lançamento é simultâneo em diversas partes do mundo. Diversas organizações e coletivos cadastraram locais públicos de exibição para ampliar o acesso ao tema.

“Mas qualquer pessoa pode organizar uma sessão, que não precisa ser necessariamente no dia 16 de maio”, explica a ativista Juliana Russar.

O filme de 42 minutos está em inglês com opções de legenda em português, chinês, francês, alemão e espanhol.

“Queremos que esse filme inspire planos ambiciosos para combater a indústria dos combustíveis fósseis e lidar com a crise climática em todo o planeta”, diz Russar.

Para mais informação acesse o site.

Confira os locais de exibição no Brasil:

São Paulo, 16/5, 18h

João Pessoa, 16/5, 19h

Belo Horizonte, 16/5, 20h

Porto Alegre, 16/5, 20h

Salvador, 18/5, 9h

São Paulo, 21/5, 20h

Porto Alegre, 31/5, 19h

Limeira, 4/6, 19h

Florianópolis, 5/6, 19h

O problema existe e a solução também!

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Juliana Russar e Paula Collet(*)

Há poucos dias, foi divulgada a notícia de que setembro de 2012 empatou com o mesmo mês de 2005 como o setembro mais quente da história (os registros começaram em 1880). Somado a esse recorde temos o fato de que a temperatura média global dos últimos 331 meses está acima da média histórica e que, em agosto de 2012, pela primeira vez no registro histórico, a cobertura de gelo marinho do Ártico atingiu menos de 4 milhões de quilômetros quadrados, sendo a maior perda de gelo no Ártico já registrada.

Não é difícil ligar os pontos entre as mudanças climáticas que já estão acontecendo aos eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes e intensos e seu impacto na vida das pessoas, causando mortes, prejuízos econômicos, afetando nossa saúde, etc. Só para citar dois exemplos, no começo de setembro, a cidade de São Paulo teve o dia mais quente do inverno dos últimos 57 anos e, em janeiro, mais uma vez as chuvas de verão causaram enchentes e desmoronamentos, atingindo e afetando milhares de pessoas nos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Os cientistas estão fazendo sua parte ao tornarem públicas e divulgarem da maneira que podem informações qualificadas que servem de alerta para um dos problemas mais complexos que a humanidade enfrenta no século XXI. As pessoas também já estão sofrendo com as consequências do aquecimento global. Por que, então, os líderes mundiais não estão nos ouvindo e adotando em conjunto uma série de medidas para enfrentar as mudanças climáticas? Por que as rodadas de negociações internacionais multilaterais sobre mudanças climáticas não avançam? Por que a ciência parece ser incompatível com a política?

A resposta é dura, mas é simples. Chegar a um acordo global para implementar medidas a nível nacional e local para atacar as causas das mudanças climáticas, reduzindo drasticamente as emissões de gases de efeito estufa, implica em uma mudança profunda na maneira como produzimos energia e como exploramos nossas florestas. Explicando melhor: precisamos parar de explorar petróleo, carvão e gás natural para gerar energia e precisamos parar de desmatar nossas florestas.

Porém, de acordo com as regras atuais do jogo, a indústria de combustíveis fósseis pode emitir sem pagar nada quanto carbono quiser na atmosfera, pois não existe nenhuma taxa ou punição para que pare de emitir (e, inclusive, recebe bilhões de dólares anualmente em subsídios ao redor do mundo para executar suas atividades) e isso não vai existir enquanto o poderoso lobby desse setor continuar infiltrado nas capitais federais, frequentando as negociações internacionais e influenciando os líderes mundiais, por meio do financiamento das suas campanhas políticas.

É por isso que, atualmente, a 350.org tem como alvo de campanha a indústria de combustíveis fósseis, pois sabemos que as reservas de petróleo, carvão e gás natural dessas empresas excedem 2.795 gigatoneladas de CO2 ou 5 vezes mais do que podemos emitir se quisermos evitar mudanças climáticas catastróficas, porém a lógica de negócio deles não leva em conta suas consequências.

Acreditamos que somente um movimento formado por cidadãos organizados de todo o planeta em busca de soluções para a crise climática tem força política suficiente para denunciar o que essas empresas estão planejando e mudar a realidade de baixo para cima. É importante dizer que esse crescente movimento abrange pessoas com os mais diferentes perfis, já que para um problema desse tamanho, é necessário muita criatividade e diversidade em busca de uma solução à altura. Não podemos mais esperar as soluções, precisamos ir em busca delas, daí a razão pela qual dizemos que ela virá de baixo para cima. Cada voto, cada compra, cada escolha que fazemos e cada manifestação e denúnica que desistimos de fazer têm consequências brutais nas nossas vidas.

Por isso, temos que sair da posição de conforto para tomar uma posição pelo fim do desmatamento, pelo fim dos subsídios aos combustíveis fósseis, pelo uso de energias limpas, mostrando para os nossos representantes políticos que há milhões de pessoas no mundo que já estão agindo e que eles têm nosso apoio nessa transição para um modelo de desenvolvimento com baixa emissão de carbono, levando-nos para um mundo com energias limpas e renováveis, seguro e digno para as futuras gerações.

*Juliana Russar e Paula Collet são coordenadoras da 350.org no Brasil

Artigo publicado originalmente na edição de outubro do Jornal Cidadania da Fundação Casper Líbero

A natureza pede menos CO2 e a 350 transmite o recado

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Por Bianca Mascara

Publicado originalmente no Jornal Cidadania (outubro de 2012)

Campanha internacional organiza manifestações para pressionar autoridades e alertar a população sobre os problemas do aquecimento global

Fotos Divulgação
Fotos Divulgação
Não falta criatividade para os membros do 350 protestarem

O número 350 indica o limite da quantidade de carbono em partes por milhão (ppm) que o planeta suportaria antes de sofrer as graves consequências do aquecimento global. O derretimento das geleiras, a propagação de doenças em virtude de temperaturas mais elevadas que favoreceriam a proliferação de insetos transmissores; enchentes devido à quantidade anormal de chuvas e períodos secos que prejudicariam a produção de alimentos e o sustento de famílias são algumas das previsões catastróficas em consequência das mudanças climáticas no globo. Entretanto, esses fenômenos já acontecem em menor escala. Catástrofes naturais têm ocupado o noticiário. Elas estão em destaque, porque a atual concentração de CO2na atmosfera supera 390 ppm.

O número assusta, mas milhares de pessoas estão engajadas em reverter os efeitos do aquecimento global antes que seja tarde de mais. O limite proposto pelos cientistas e estudiosos da área foi ultrapassado e a meta agora é diminuir esses números. Para reverter um problema de dimensão global, é preciso uma ação da mesma envergadura, por isso a 350.org trabalha em 188 países com a ousada missão de salvar os planeta. Essa missão não foi concedida a nenhum super-herói dos quadrinhos, ela foi atribuída a cada um de nós.

“A 350.org é uma campanha internacional que está construindo um movimento global para unir o mundo em busca de soluções para a crise climática. Nossa teoria de mudança é bem simples: se um movimento internacional de bases conseguir responsabilizar os nossos líderes vinculando-os às últimas descobertas científicas e aos princípios de justiça, podemos promover a transformação global de que tanto precisamos e que garantirá um futuro melhor para todos”, explica Juliana Russar, coordenadora da 350.org no Brasil.

Ciente de que a meta somente será atingida com a colaboração de todos, contando com pequenas e grandes ações, a 350 tem como trabalho de base a conscientização e para isso promove ações criativas, mas não menos críticas que procuram chamar a atenção das autoridades e dos cidadãos ao redor do planeta.

A internet é uma importante aliada na transmissão de informações em cadeia, mas os protestos ultrapassam as ações online. Em 2009, a 350 coordenou 5200 marchas e manifestações simultâneas em 181 países. O feito ganhou destaque internacional e foi considerado pela rede CNN como o “mais abrangente dia de ação política da história do planeta”.

“Procuramos organizar nosso trabalho de novas maneiras, utilizando ferramentas online para facilitar nossas ações off-line. Por exemplo, em todos os dias globais de ação da 350.org, desde 2009, a web foi utilizada antes do dia para espalhar o chamado para nossa rede de organizadores em mais de 188 países, fornecer ferramentas e materiais de apoio para eles, chamar pessoas para se juntarem à ação mais próxima e também durante e depois para dar visibilidade e unir globalmente as milhares de pessoas do mundo todo que estão buscando soluções localmente para as mudanças climáticas”, conta Russar.

Fotos Divulgação
Com a mensagem “Eu estou derretendo”, ativismo invade as geleiras

A atuação da organização não se limita apenas a protestos, também lidera ações efetivas para alterar a situação do planeta. Exemplo disso aconteceu no dia dez de outubro de 2010, o 10/10/10, quando foi comemorado a Festa do Trabalho Global, com 7000 eventos que realizaram desde a instalação de painéis solares até a montagem de jardins comunitários.

O ativismo pacífico segue em pauta na 350, pois a cada ano, o número de unidades de carbono na atmosfera aumenta cerca de duas partes por milhão.

Para os membros da organização, é preciso aprovar acordos internacionais para a redução de carbono, bem como pequenas ações com a colaboração de todos, que devem adotar medidas sustentáveis no cotidiano. Logicamente, grandes empresas e autoridades dos maiores países do mundo possuem uma importância significativa nesse processo, mas caberá aos cidadãos pressioná-los.

“Atualmente, nossa campanha global tem como alvo a indústria de combustíveis fósseis, pois sabemos que as reservas de petróleo, carvão e gás natural dessas empresas excedem 2.795 gigatoneladas de CO2ou cinco vezes mais do que podemos emitir se quisermos evitar mudanças climáticas catastróficas”, afirma a coordenadora. “Não existe nenhuma taxa ou punição para que parem de emitir e isso não vai existir enquanto o poderoso lobby desse setor continuar infiltrado nos centros de poder e influenciando os líderes mundiais. Além disso, a indústria de combustíveis recebe bilhões de dólares de subsídios ao redor do mundo para executar suas atividades”, protestou a ativista, que acredita na força das energias limpas e renováveis.

Fotos Divulgação
Projeções são um dos artifícios usados para chamar a atenção

A China lidera o ranking e é o maior desafeto do planeta. Os Estados Unidos estão na segunda posição, mas diminuíram a inimizade com o meio ambiente no último ano. Os números da Agência Internacional de Energia (AIE) apontam que os norte-americanos reduziram a emissão de dióxido de carbono, principalmente em virtude da adoção do gás natural no lugar do carvão e também pela crise econômica que diminuiu a demanda energética. No entanto, isso ainda não representa uma solução, pois o processo de armazenamento de gás natural pode causar eventuais liberações de metano, outro e mais importante gás estufa.

A ideia da 350.org com o objetivo de atingir a meta de redução é através da adoção de alternativas sustentáveis para a obtenção de energia, como a implantação de painéis solares, o fim de desmatamento, bem como o plantio de árvores, e a redução do desperdício de energia. Os mecanismos são os ativismos, cujo foco é conscientizar e sensibilizar as autoridades.

Brasil e a Rio +20

O Brasil não se insere entre os maiores no que diz respeito à produção de combustíveis fósseis, embora a exploração da camada pré-sal no litoral brasileiro possa alterar essa perspectiva. O incentivo à produção de etanol a partir da cana de açúcar é uma medida positiva para a natureza, todavia, há outros fatores que preocupam as ambientalistas, haja vista que parte do território nacional é ocupado pela Floresta Amazônia, constantemente vítima do desmatamento. “No caso do Brasil, por exemplo, recentemente apoiamos campanhas de organizações parceiras relacionadas à mobilidade, Belo Monte, Código Florestal”, ressalta Juliana Russar.

Recentemente, o Brasil foi sede de um dos encontros mais importantes do mundo para as discussões e tomada de decisões sobre o meio ambiente: a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida como Rio+20. A 350.org esteve presente e participou dos diálogos.

“Fizemos um tuitaço pelo fim dos subsídios aos combustíveis fósseis, que conectou a Rio+20 com as negociações do G-20 e com manifestações no mundo inteiro, e trouxe de volta às mesas de negociações a discussão sobre o tema”, ressaltou Russar. “Fomos também até a Cúpula dos Povos, e participamos do encontro intergeracional com a Marina Silva e tantos outros que estão lutando por um mundo melhor e que serviram de fonte de inspiração para as mais de duas mil pessoas que estavam ali”, completou.

Mais informações: www.350.org